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“Child's Play" ("O Boneco Diabólico"), de Lars Klevberg


Porquê refazer um filme? Para espremer mais uns trocos de uma marca ou para a reinventar? Convenhamos, que quem financia este estilo de produções tende a preocupar-se somente com a componente monetária, no entanto, porque não tentar cumprir ambas as premissas? Afinal, alguns dos maiores acontecimentos cinematográficos de todo o sempre, eram mesmo remakes. “Por um Punhado de Dólares” (Sergio Leone, 1964), “O Comboio do Medo” (William Friedkin, 1977), “Veio do Outro Mundo” (John Carpenter, 1982) e a lista continua… Ora, adotando esse raciocínio entendemos que o problema não é a ideia de reutilizar personagens e situações pré-existentes, mas sim a preguiça na hora de as reinventar. Nesta perspetiva, é preciso admitir que os ícones do cinema de terror dos anos 70/80 têm sofrido particularmente dessa maleita. Pensemos em “Pesadelo em Elm Street” (Samuel Bayer, 2010), que só ambicionava mesmo copiar as sequências mais…
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Outras Estreias:




(Exclusivo Cinema Ideal)
Em Reposição:

"Dragged Across Concrete" ("Na Sombra da Lei"), de S. Craig Zahler

Em 1969, Sam Peckinpah (1925–1984) estreou “The Wild Bunch”. Um conto sanguinolento acerca de um bando de velhos cowboys envolvidos nas convulsões da fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde já não existiam heróis clássicos, mas sim homens errantes, cada vez mais inadaptados a um tempo que os tinha reduzido a meras lendas distantes, incapazes de desenhar uma linha clara entre o Bem e o Mal. Aquando do seu lançamento, Hollywood nem desconfiava da viabilidade do género que ainda era o modelo de produção mais rentável do momento: o western. No entanto, o mesmo começaria a falecer aí mesmo. Porquê? Pois bem, porque Peckinpah foi o primeiro a entender que a simplicidade reconfortante da aventura mitológica dos bons contra os maus era coisa do passado. Ou seja, regressar ao Velho Oeste implicaria mergulhar de cabeça numa história de violência dantesca, eternamente assombrada pelos fantasmas do co…
"Her Smell" ("Her Smell: A Música nas Veias"), de Alex Ross Perry

Em “Her Smell: A Música nas Veias” (convenhamos, um subtítulo dispensável), Elisabeth Moss consegue desempenhar uma tarefa que nunca ninguém parece capaz de executar. Isto é, remover todo o glamour e sensualidade da persona de uma estrela de rock, a sua Becky Something, é líder de uma banda que punk que já viu melhores dias, no entanto, os fãs continuam a encará-la como uma figura messiânica digna de uma adoração permanente. Aliás, quando a conhecemos na primeira cena da sexta longa-metragem de Alex Ross Perry (cujos títulos anteriores tinham sido estreados no IndieLisboa, mas nunca distribuídos no circuito comercial português), até somos capazes de compreender o que move os seus seguidores. A atitude rebelde, a voz possante, o carisma, a maneira como se apodera do clássico “Another Girl Another Planet” (Only Ones, 1978) e o reinventa à sua imagem. De facto, sentimos que acabamos de assistir a um belo…
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Outras Estreias:




"Homem-Aranha: Longe de Casa", de Jon Watts

Passados 11 anos, onde couberam 23 longas-metragens, o MCU (Marvel Cinematic Universe) é hoje um espelho de si mesmo. Uma crónica de eventos cataclísmicos e pequenas aventuras paralelas, que vão expandindo um universo que só tem ganho mais popularidade. Alguns desses títulos vão introduzindo modelos estéticos ou narrativos próprios (pensamos, por exemplo, em “Black Panther” ou “Thor: Ragnarok”), no entanto, torna-se impossível escapar à força gravitacional da continuidade em que se inserem. Isto é, enquanto os acontecimentos que unem os Vingadores gozam de uma escala que alguns apelidariam de “épica”, cabe aos restantes filmes arranjarem uma maneira de não parecerem entradas menores nos cânones da franquia. Nesse sentido, apetece dizer que “Homem-Aranha: Longe de Casa” é tão bem sucedido nessa missão, que quase pudemos encará-lo como uma metáfora para as dificuldades que se apresentam no processo de construção de uma película desta …
Destaque da Semana:

Outras Estreias:





Em Reposição:
"Yesterday", de Danny Boyle

Quem tiver um conhecimento mínimo do atual panorama do cinema britânico, encarará com alguma estranheza a união entre Danny Boyle e Richard Curtis. O primeiro, um descendente direto de compatriotas seus como Nicolas Roeg (1948-2018) ou Ken Russell (1927-2011), conhecido pela maneira como convoca elementos do cinema de género (pensemos nos fantasmas de “O Exorcista” que pairam sob o seu “Trainspotting”), para se interrogar acerca da condição humana. O segundo, um romântico incurável, cujas ideias já salvaram a comédia britânica em tempos de crise (são seus os guiões de “Quatro Casamentos e Um Funeral”, “Notting Hill” e “O Amor Acontece”). Assim sendo, que conceito seria sedutor o suficiente para conseguir juntar estes dois “titãs”? Pois bem, nada mais, nada menos, que a história de um cantautor falhado (Himesh Patel), que sobrevive a um atropelamento, só para acordar numa dimensão paralela, onde os Beatles nunca existiram. Decide, então, começar a c…
Destaque da Semana:

"Yesterday", de Danny Boyle
Outras Estreias:

"Linhas Tortas", de Rita Nunes

"Sem Filtro", de Éric Lavaine

"Annabelle 3 - O Regresso a Casa", de Gary Dauberman

"Toy Story 4", de Josh Cooley
"Pavarotti", de Ron Howard

Na primeira cena de “Pavarotti” vemos uma gravação caseira, onde a segunda mulher do tenor italiano, Nicoletta Mantovani, lhe pergunta como gostar ia de ser recordado. “Como o homem que trouxe a ópera ao povo”, responde sem hesitações. Acontece que, o cineasta Ron Howard não terá escolhido este momento para dar início ao seu documentário de forma inocente. Como assim? Pois bem, porque nesse momento de absoluta intimidade, Luciano evidencia-se perante o olhar atento da câmara como um confesso apaixonado por um métier, que encarava não como uma espécie de “regalia cultural” digna apenas dos intelectuais e boémios, mas como um possível fenómeno de massas que podia e devia ser apresentado em todos os auditórios, sejam eles tradicionais ou não (para si, cantar numa quinta não era de maneira nenhuma uma vergonha, pelo contrário). Da mesma maneira, a película que o americano lhe dedicou é pensada e executada como um suculento naco” de entretenimento, onde…
"Os Mortos não Morrem", de Jim Jarmusch

Jim Jarmusch é um autor desconcertante, no melhor sentido, entenda-se. De facto, parece impossível encerrá-lo em qualquer padrão temático, de tal modo a sua obra vai ziguezagueando pelas mais variadas referências. Ele é, afinal, o romântico que encenou “Só os Amantes Sobrevivem”, sobre o reencontro de dois vampiros, desapontados pelos comportamentos decadentes dos humanos que os rodeiam, no entanto, na sua filmografia constam também objetos insólitos como “Paterson”, retrato de um condutor de autocarro, que procura a poesia na banalidade rotineira do seu quotidiano, ou “Ghost Dog: O Método do Samurai”, onde acompanhou o dia-a-dia sanguinolento de um assassino contratado, com um código de honra que o aproxima dos míticos guerreiros japoneses.
Jarmusch permanece um punk, portanto. Um artista desalinhado e inconformado que, à semelhança de contemporâneos seus, como Gregg Araki ou Todd Solondz, continua a combater ou, pelo menos, a lamentar …
Destaque da Semana:

"Os Mortos não Morrem", de Jim Jarmusch
Outras Estreias:

"A Vigilante", de Sarah Daggar-Nickson

"As Vigaristas", de Chris Addison

"Pavarotti", de Ron Howard

"O Corvo Branco", de Ralph Fiennes

"Pássaros de Verão", de Cristina Gallego, Ciro Guerra

"Terra", de Hiroatsu Suzuki, Rossana Torres
(Exclusivo Cinema Ideal)
Estreia a 23/06/2019:

"In My Room: No Meu Quarto", de Ulrich Köhler
(Exclusivo Medeia Filmes)