"A Hora Mais Negra" ("Darkest Hour") Winston Churchill conseguiu mobilizar uma nação inteira contra um inimigo comum, utilizando somente a retórica, sob condições francamente dramáticas. Compreende-se, portanto, a necessidade quase “cíclica” que o cinema (em especial, o britânico) parece ter de regressar à sua imponente figura. E, nesse sentido, é com algum desapontamento que encontramos em “A Hora Mais Negra” um caso paradoxal, simultaneamente evidenciando inequívocos apontamentos de brilhantismo e, falhas embaraçosas que se tornam difíceis de perdoar. Afinal, o trabalho de mise en scène de Joe Wright, aliada à sumptuosa fotografia de Bruno Delbonnel asseguram um requinte cénico inegável, que gera até uma série de belíssimos momentos de cinema (a criança que contempla o avião, o bombardeamento, os planos constantes de um Churchill sempre enclausurado em espaços iluminados na escuridão, sinalizando a solidão latente do homem no poder) e, no elenco assisti...