"The Beach Bum: A Vida Numa Boa", de Harmony Korine Aquando do lançamento de “Gummo” (1997), Harmony Korine visitou o programa de David Letterman para promover a sua primeira longa-metragem. A certo ponto, o entrevistador perguntou-lhe que motivos o convenceram a perseguir uma carreira no cinema. O mesmo limitou-se a responder que o panorama contemporâneo do cinema americano andava acorrentado a banais convenções pré-formatadas que não o entusiasmavam. Passadas quase três décadas, o autor que muitos encaram como um enfant terrible semelhante a outros provocadores como Gaspar Noé, Bertrand Mandico ou Yann Gonzalez, evidencia-se como um dos últimos anarcas estadunidenses. Um obstinado representante de um cinema poético que procura a transcendência por via da marginalidade, que almeja ascender ao céu pelo excesso do pecado. Exemplo modelar disso mesmo é “The Beach Bum: A Vida Numa Boa”, uma experiência intoxicante, a meio caminho entre John Cassavetes (1929–1989) e Terre...