"Ad Astra", de James Gray James Gray sempre procurou acompanhar as convulsões íntimas das comunidades imigrantes (sobretudo, de origem russa, como a família de Gray) em Nova Iorque e arredores, compondo retratos tocantes e contundentes que convocavam o espírito de um cinema americano que não volta nunca (pensamos em Martin Scorsese, Paul Schrader ou Francis Ford Coppola, mas também em Mervyn LeRoy, Josef von Sternberg e Fritz Lang). No entanto, “A Cidade Perdida de Z” (2017) já evidenciava uma vontade de abandonar paisagens contemporâneas para encenar contos que mimetizassem a existência de Gray, cineasta que trocava o seu “lar” pelo desconforto de um universo estranho, por puro voluntarismo, quando nada o obrigava a fazê-lo. O mesmo sucede novamente em “Ad Astra”. Conto hipnótico de um astronauta (Brad Pitt) aprisionado a uma solidão autoimposta, que necessita de embarcar numa expedição rumo ao desconhecido que é, afinal, uma viagem ao interior de si mesmo. Estamo...