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A mostrar mensagens com a etiqueta Cinema Francês
"High Life", de Claire Denis Algures no espaço sideral, uma nave viaja pela imensidão desse vazio interminável. Como um túmulo ambulante, no qual habitam os resquícios de uma tripulação há muito perdida. Um homem, de nome Monte (Robert Pattinson), e a sua filha Willow (Scarlett Lindsey, em criança, Jessie Ross, em adolescente), vivem uma existência desencantada e pobre, conservada única e exclusivamente por um intrincado sistema de tubagem industrial. Por entre corredores escuros e jardins desordenados, ele ensina-a a andar, alimenta-a e dedica toda a sua existência à bebé, única companheira viva que ainda permanece a seu lado e eterna violadora da solidão em que Monte se parece querer confortar. Num dia, talvez o mesmo em que ele deita fora os cadáveres dos antigos companheiros e os deixa a flutuar no vácuo, Monte fala a Willow de tabus. Segundo o pai pedagogo, beber e comer os próprios dejectos é um tabu, mesmo que os mesmos já tenham sido reciclados. Dessa forma, ...
"The House That Jack Built: A Casa de Jack", de Lars Von Trier Aquando da passagem de  “Melancolia”  pelo Festival de Cannes de 2011, o dinamarquês Lars Von Trier protagonizou um dos momentos mais rocambolescos da história do evento, quando confessou sentir alguma simpatia por Adolf Hitler. Acontece que, o sucedido se resumiu a uma tentativa jocosa de provocar a imprensa. No entanto, as repercussões dessa brincadeira inocente continuam mesmo a promover clivagens insuperáveis entre os seus espetadores. Nesse sentido, é expectável que alguns dos admiradores do cineasta (entre os quais nos incluímos) tentem argumentar que importará encarar  “The House that Jack Built”  (lançado com o subtítulo  "A Casa de Jack" ) somente como um “filme normal”. Contudo, apetece-nos dizer que Von Trier pretende precisamente o oposto. Porquê? Pois bem, citando o próprio autor: “O Jack sou eu, a única diferença é que não mato pessoas.” Nesse sentido, convenhamos, que  “...
"A Minha Família do Norte", de Dany Boon Dany Boon permanece plenamente interessado em tornar regionalismos em matéria prima cómica. Em encenar pequenos contos familiares, que convoquem os preconceitos e estereótipos mais comuns na sociedade francesa contemporânea. Sempre com gentileza, ternura e benevolência. O seu cinema declaradamente popular, assume componentes francamente caricaturais e cartoonescas, no entanto, nunca ambiciona insultar ou magoar. Afinal, para o cineasta nortenho está mesmo em causa, brincar com temas que sempre o acompanharam. Em “A Minha Família do Norte”, reencontramos aquela França bucólica, que o viu nascer e crescer, e já marcou mesmo um dos seus títulos mais célebres (o fenómeno “Bem-Vindo ao Norte” , um dos maiores sucessos financeiros de todo o cinema europeu), para acompanhar a árdua odisseia de um reputado arquiteto vanguardista, que sempre procurou eliminar quaisquer sinais da existência de uma família modesta, para manter ...
"Coexistir não é Fácil", de Fabrice Éboué Aquando do lançamento de "Happy End" e "A Ciambra" (ambos ainda em cartaz), falávamos acerca de um aparente "movimento", digamos assim, emergente na cinematografia europeia em explorar os temas mais complexos e marcantes do atual panorama sociopolítico. Ou seja, filmar não aquilo nos une, mas, o que nos separa. Em "Happy End" era a classe, o dinheiro (em contraponto, tudo acontecia em Calais, zona conhecida pelo elevado fluxo de refugiados). A tragédia de três gerações de uma família burguesa, que perdera a capacidade de comunicar. Em "A Ciambra" , mergulhávamos numa Calábria infernal, onde pairavam os fantasmas da raça (de um lado, os ciganos, de outro, os africanos, no meio a máfia local que usava e abusava de ambas as fações). Era um conto de monumental tristeza, que nos conduzia até um submundo, onde a vida era pré-definida à nascença, e os sonhos implacável e pront...