"Glass", de M. Night Shyamalan Nunca é simples para um cineasta escapar às consequências mais ou menos perversas de possuir uma “imagem de marca”. Observe-se o caso de M. Night Shyamalan. Como continuar depois de um fenómeno como “O Sexto Sentido”, especialmente, quando um contingente da imprensa americana insiste em reduzir as nuances muito pessoais do seu trabalho às mais banais convenções do cinema de terror? Convenhamos, trata-se de um problema complexo, no entanto, o cineasta aparenta mesmo ter encontrado uma maneira interessante de o solucionar. Qual? Pois bem, recorrer a orçamentos pouco dispendiosos para filmar argumentos ousados, que procuram desconstruir as fórmulas que muitos thrillers contemporâneos insistem em seguir cegamente. Em “Glass” encontramo-lo a encerrar o seu tríptico Eastrail 177, iniciado com “O Protegido”, onde um segurança hidrofóbico descobria a sua força e invulnerabilidade, bem como uma aptidão extrassensorial para detetar pecados já ...