"Sete Estranhos no El Royale" Encaramos Drew Godard como um legítimo sucessor de Quentin Tarantino. Não somos os primeiros a reconhecer-lhe isso, nem seremos os últimos, contudo, quando confrontados com um acontecimento tão incomum como “Sete Estranhos no El Royale”, parece-nos necessário reiterar esse sentimento. Porquê? Pois bem, acontece que o primeiro compreende o que transforma o segundo num génio, isto é, a sua capacidade de utilizar a iconografia cinematográfica do passado, para abordar temáticas visceralmente presentes. Uma qualidade que Drew Godard já tinha evidenciado na sua longa-metragem anterior, “A Casa na Floresta”, onde desmontava e reinventava os mais comuns clichés do cinema de terror, no processo, compondo uma perturbante meditação sobre o voyeurismo, que analisava metodicamente a nossa atração pelo sofrimento e violência (o ópio do povo), e pintava os omnipresentes reality shows como equivalentes contemporâneos das lutas entre gladiadores o...