"Halloween" “Tudo o que sei acerca do Mal, aprendi-o em Bowling Green”, confessava John Carpenter, referindo-se à pequena cidade do Kentucky, onde cresceu, e subtilmente explicando o que o fascina. Isto é, no seu cinema, os antagonistas nunca se resumem a figuras negativas meramente acessórias, pelo contrário, aquilo que os seus protagonistas enfrentam são, isso sim, perturbantes corporizações do Mal quotidiano. Dito de outro modo, quando entramos num dos seus contos de terror, encontramos sempre narrativas mais próximas dos fascinantes mecanismos da fábula, colocando personagens inocentes, contra seres perturbantes, que veiculam os pecados da sociedade em seu torno. Seguindo essa linha de pensamento, importa nunca encarar Michael Myers apenas como um serial killer sem rosto, porque ele é um conceito muito mais insidioso. Myers, ou “A Forma”, como é descrito no genérico final, é a representação máxima do puritanismo religioso que condenou a liberdade sexual da...