"Maya", de Mia Hansen-Løve Num dos primeiros momentos da sexta longa-metragem de Mia Hansen-Løve, um psiquiatra pergunta ao protagonista Gabriel (Roman Kolinka), recentemente libertado de um traumático cativeiro na Síria, se considera frequentar sessões com um psicólogo, de maneira a tentar recuperar mais rapidamente do sucedido e a resposta paradoxal que recebe sintetiza todo o cinema da francesa. Diz ele, um jornalista, que as palavras existem apenas para descrever situações concretas e tangíveis e, por conseguinte, não há nenhuma razão para perder tempo a discorrer sobre o que sofreu. Acontece que, também Hansen-Løve, cujo cinema possui contornos admitidamente biográficos, parece não se contentar somente com a ideia de relatar um momento especifico ou uma qualquer história, ao invés os seus filmes são melodramas delicados e aparentemente desprovidos de conceitos tradicionais como uma estrutura convencional, durante os quais somos convidados a entrar na esfera inti...