Crítica: "O Mistério de Silver Lake" Importa contrariar os discursos maniqueístas que insistem em opor a forma ao conteúdo. Porquê? Pois bem, porque a forma resume-se ao primeiro dos conteúdos. Isto é, a construção de uma narrativa, encontra mesmo as suas raízes vitais na visão do mundo que nela se integra. Contudo, apenas uns poucos autores têm esse dom, de nos conseguir fazer sentir que o modo como contam as suas histórias, já é intrinsecamente parte das mesmas, e o americano David Robert Mitchell é um deles. Afinal, será necessário recordar a maneira como convocou a ambiência melancólica e perturbante do cinema de terror americano dos anos 80 (encontrando em John Carpenter uma referência fundamental), para acompanhar as duras convulsões do crescimento em “Vai Seguir-te” ? Em “O Mistério de Silver Lake” , encontramo-lo a trabalhar certos modelos de surrealismo que tendemos a associar a autores como David Lynch ou Jim Hosking , para encenar as deambulações m...