Avançar para o conteúdo principal
Crítica: "It Follows" ("Vai Seguir-te"), de David Robert Mitchell



Realização: David Robert Mitchell
Argumento: David Robert Mitchell
Elenco: Maika Monroe, Keir Gilchrist, Olivia LuccardiDaniel ZovattoJake Weary
Género: Terror
Duração: 100 Minutos
Classificação Etária: M/14
Data De Estreia (Portugal): 20/08/2015
Facebook Oficial | Site Oficial | IMDB

Um dos grandes acontecimentos cinematográficos do ano de 2015: "Vai Seguir-te" (título original: "It Follows"), de David Robert Mitchell. Uma obra fascinante, capaz de evocar o cinema de John Carpenter. Tudo se passa num subúrbio americano triste, povoado de belas adolescentes de pernas longas e dos seus admiradores masculinos "esfomeados", de apetite sexual insaciável. Quando Jay (a cada vez mais promissora Maika Monroe, numa performance de excelência) comete o erro de se entregar a um destes jovens, vê-se perseguida por uma figura misteriosa, que se desloca lentamente e que pode assumir qualquer forma humana.

Original? Sem dúvida. Assustador? Imenso. Mas o que mais nos impressiona acerca desta segunda longa-metragem do jovem cineasta/argumentista David Robert Mitchell (depois do indie adolescente "The Myth of the American Sleepover") é a forma como este se demonstra capaz de jogar com a simbologia da sua narrativa, criando assim uma fita extremamente nostálgica, que tem tanto de aterradora como de comovente, sobre os horrores psicológicos do crescimento. Invocando uma sensação de pânico constante que se "apega" ao espetador e não o larga até ao fim, este "It Follows" é aliás uma das mais interessantes alegorias sobre o medo, que já alguma vez tivemos o prazer de assistir (mas esta última frase só vai perceber quem já tiver visto o filme). Uma coisa é certa, independentemente do que venha a fazer a seguir Robert Mitchell já cimentou o seu estatuto como um verdadeiro mestre.

Classificação: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10
Texto de Miguel Anjos

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Flow - À Deriva" ("Straume"), de Gints Zilbalodis

Não devemos ter medo de exaltar aquilo que nos parece "personificar", por assim dizer, um ideal de perfeição. Consequentemente, proclamo-o, sem medos, sem pudores, "Flow - À Deriva", do letão Gints Zilbalodis é um dos melhores filmes do século XXI. Um acontecimento estarrecedor, daqueles que além de anunciar um novo autor, nos providencia a oportunidade rara, raríssima de experienciar "cinema puro". O conceito é simultaneamente simples e complexo. Essencialmente, entramos num mundo que pode ou não ser o nosso, onde encontramos apenas natureza, há resquícios do que pode, eventualmente, ter sido intervenção humana, mas, permanecem esquecidos, abandonados, nalguns casos, até consumidos pela vegetação. Um dia, um gato, solitário por natureza, é confrontado com um horripilante dilúvio e, para sobreviver, necessita de se unir a uma capivara, um lémure-de-cauda-anelada e um cão. Segue-se uma odisseia épica, sem diálogos, onde somos convidados (os dissidentes, cas...

CRÍTICA - "MEU FILHO"

Depois de interpretar treze personagens distintas em  "Fragmentado" , de M. Night Shyamalan, James McAvoy continua a procurar desafios atípicos. Em  "Meu Filho" , o francês Christian Carion, que reconheceremos de  "Feliz Natal"  e  "O Caso Farewell" , propôs-lhe uma experiência curiosa. Trata-se de um thriller policial, antiquado nos seus moldes narrativos e estéticos, mas ousado na sua execução, uma vez que, McAvoy, o protagonista da trama, nunca leu o argumento, tendo passado todo o processo de rodagem a improvar as suas cenas, de acordo com as indicações gerais que lhe iam sendo providenciadas. Ou seja, e aqui parafraseamos o trailer do filme, em  "Meu Filho" , McAvoy "descobre cada  twist , ao mesmo tempo que o espetador". Edmond (McAvoy) e Joan (Claire Foy) separaram-se há muitos anos. Ele encontra-se constantemente em viagens de trabalho e, por conseguinte, mantém uma relação relativamente distante de Ethan (Max Wilson),...