Crítica: "O Sacrifício de um Cervo Sagrado" ("The Killing of a Sacred Deer"), de Yorgos Lanthimos O cinema de Yorgos Lanthimos permanece igual a si mesmo. Perturbador, clínico na sua frieza e desconfortavelmente hilariante. E, este conto moral, situado numa zona suburbana dos Estados Unidos, onde tudo aparenta ser idílico, pode mesmo ser a sua experiência mais arrepiante. Em causa, está um cirurgião cardíaco (uma estonteante performance de Colin Farrel), com mãos lindíssimas (não somos nós quem diz, são as restantes personagens), uma mulher imperscrutável e dois filhos “fofos” (Nicole Kidman, Raffey Cassidy e Sunny Suljic, respetivamente), cuja vida é lentamente arruinada por um estranho adolescente (Barry Keoghan), depois de o primeiro cometer um ato pecaminoso contra o segundo. Lanthimos nunca tinha evidenciado indícios de contenção, no que às componentes mais chocantes das suas narrativas diz respeito e, não será aqui que começa a fazê-lo. Aliás, no se...