Crítica: "Arranha-Céus" ("High-Rise"), de Ben Wheatley Wheatley já filmou os traumas da guerra, o nascimento de um amor comovente entre dois assassinos em série e um hilariante tiroteio num armazém. Agora, o mais ousado cineasta britânico contemporâneo, virou-se para a literatura de J.G. Ballard, para retratar a falência ou, melhor o colapso completo e absoluto de uma sociedade capitalista. E, quem conhecer o cinema muito particular do autor de “Kill List” e “Free Fire”, certamente saberá que ele nunca demonstrou grande interesse em construir objetos cinematográficos “confortáveis” ou, politicamente corretos. Não, Wheatley apenas ambiciona alimentar um interesse, que nos dias que correm parece mesmo ser só seu, ver o mundo a arder. Ideal, nunca antes tão aparente como em “Arranha-Céus”, que começa por nos apresentar ao edifício, onde tudo se passa, estabelecendo uma atmosfera de permanente estranheza, reminiscente de alguns títulos de Terry Gilliam (como ...