"O Farol", de Robert Eggers Aquando do lançamento de Hereditário , Ari Aster mencionou o seu fascínio por O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Dela . Porquê? Dizia ele, que o filme lhe parecia tão insondavelmente malévolo, que conseguia mesmo encapsular em si a crueldade do mundo. “Nunca conheci o Peter Greenaway, mas suspeito que seja uma pessoa horrível”, comentava o realizador. Obviamente, Aster terminou essa observação num tom brincalhão, contudo, isso não invalida o surpreendente brilhantismo do seu raciocínio. De facto, existe uma estirpe de obras acerca das vicissitudes da existência humana que, durante um par de horas, nos sequestram e aprisionam num infindável poço de negrume, recusando-se veementemente a mostrar-nos qualquer tipo de luz. Títulos como O Homem Que Queria Saber , O Laço Branco ou Goodnight Mommy . Em 2016, o aclamadíssimo A Bruxa , ou The VVitch: A New-England Folktale , foi encarado por muitos como um desses filmes. Mas estavam errad...