Crítica: "Detroit", de Kathryn Bigelow Kathryn Bigelow e Mark Boal mudaram-se mutuamente. Ela começou unicamente como uma encenadora de requintados espetáculos de ação (lembremos o clássico “Point Break: Ruptura Explosiva”). Ele estabeleceu-se como um jornalista de investigação. No entanto, quando se conheceram, a situação alterou-se permanentemente. Boal transformou-se num argumentista e, Bigelow passou a emprestar o seu olhar quase documental aos seus belos escritos. Passados 9 nove anos, saíram dessa parceria três longas-metragens, que parecem mesmo formar uma trilogia inesperada, confrontando a América com a sua história e mais importante que isso, com os momentos menos positivos da mesma. Em “Detroit”, fala-se nos motins que abalaram a cidade titular em 1967, que atingiram um dos seus momentos mais sangrentos no incidente do Motel Algiers, em que a ação de uma polícia francamente racista, levou à morte de três jovens afro-americanos, na sequência de uma viol...