"Dark Waters: Verdade Envenenada", de Todd Haynes Habituámo-nos a associar o cinema de Todd Haynes a um certo sentido de transgressão. Afinal, foi ele o ousado experimentalista que encenou o admirável “I'm Not There: Não Estou Aí”, que reunia um sexteto de atores diferentes para encarnar Bob Dylan, no processo, misturando factos e mitos, para conceber um filme mais interessado em aproximar-se do universo iconográfico do cantautor do que fazer um mero inventário dos momentos mais importantes da vida do mesmo. Por isso, muitos membros da imprensa americana (e não só) têm exprimido alguma estranheza, quando confrontados com um acontecimento tão militantemente antiquado como “Dark Waters: Verdade Envenenada”. Acontece que, ao transformar o artigo da The New York Times Magazine, intitulado “The Lawyer Who Became DuPont's Worst Nightmare” (da autoria de Nathaniel Rich), Haynes consegue bem mais do que um thriller extraordinariamente competente, “Verdade Envenenada”...