"No Coração da Escuridão", de Paul Schrader Paul Schrader escreveu um livro chamado "Transcendental Style in Film: Ozu, Bresson, Dreyer". Nele, homenageava esse trio de autores, pela maneira como nos mostravam algo de transcendental. Dito de outro modo, conseguiam filmar “conceitos”, que pertenciam ao domínio do invisível. No entanto, embora falasse abertamente acerca do seu interesse por esse cinema teológico, digamos assim, Schrader sempre se encarou como alguém incapaz de conceber histórias similares. Como o mesmo tem dito em múltiplas entrevistas, “havia sido corrompido pelo sexo e violência da cinematografia americana”. Mas, completados os seus 70 anos, um sentimento inexplicável e intraduzível aparentava ter-se apoderado do autor de “American Gigolo” e “A Felina” . Tinha chegado a altura de interiorizar, ou melhor corporizar essas suas inspirações, que durante tantos anos ficaram adormecidas. Era o momento de fazer o seu filme transcendental… ...