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"No Coração da Escuridão", de Paul Schrader Paul Schrader escreveu um livro chamado "Transcendental Style in Film: Ozu, Bresson, Dreyer". Nele, homenageava esse trio de autores, pela maneira como nos mostravam algo de transcendental. Dito de outro modo, conseguiam filmar “conceitos”, que pertenciam ao domínio do invisível. No entanto, embora falasse abertamente acerca do seu interesse por esse cinema teológico, digamos assim, Schrader sempre se encarou como alguém incapaz de conceber histórias similares. Como o mesmo tem dito em múltiplas entrevistas, “havia sido corrompido pelo sexo e violência da cinematografia americana”. Mas, completados os seus 70 anos, um sentimento inexplicável e intraduzível aparentava ter-se apoderado do autor de “American Gigolo” e “A Felina” . Tinha chegado a altura de interiorizar, ou melhor corporizar essas suas inspirações, que durante tantos anos ficaram adormecidas. Era o momento de fazer o seu filme transcendental… ...
Crítica: "Como Cães Selvagens" ("Dog Eat Dog"), de Paul Schrader Argumentista de clássicos intemporais como Taxi Driver ou O Touro Enraivecido (ambos assinados por Martin Scorsese), Paul Schrader é também um realizador permanentemente apostado em criar objetos cinematográficos contundentes, que consigam fugir às fórmulas mais convencionais, que dominam uma certa fatia da produção americana atual. Às vezes, acerta em cheio e outras falha redondamente, mas nunca parou e quase anualmente vemos novas obras suas. E, nesse sentido, encontramos Como Cães Selvagens como uma espécie de OVNI no nosso circuito comercial. Simultaneamente, uma crítica descontrolada a uma indústria politicamente incorreta e cheia de moralismos (as experiências de Schrader com os estúdios americanos não são as melhores) e uma homenagem apaixonada aos clássicos, que outrora nasceram no seu interior (pensamos numa série B, feita com alguma elegância e requinte, que floresceram nos EUA...