"Os Órfãos de Brooklyn", de Edward Norton Há um velho cliché que nos informa de que os atores tendem a experimentar a realização para poderem providenciar a si mesmos, os papéis que mais ninguém lhes quer oferecer. Esse não será o caso de Edward Norton, que nunca pareceu ter problemas em encontrar personagens complexas em produções invulgares (lembremos, por exemplo, “Clube de Combate”, “América Proibida” ou “A Última Hora”) e passou as últimas duas décadas a tentar transformar o romance “Os Órfãos de Brooklyn”, do seu conterrâneo Jonathan Lethem (lançado em 1999), num filme (de David Lynch a Spike Lee, muitos já andaram perto de assumir as rédeas do projeto). Porquê a demora? Pois bem, a narrativa concebida pelo escritor nova-iorquino tem elementos que tendemos a associar a uma certa noção de cinema noir que Hollywood há muito deixou de querer produzir. Isto, sem mencionar as problemáticas orçamentais típicas que uma ambiciosa produção de época como esta tende a levan...