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"Dragged Across Concrete" ("Na Sombra da Lei"), de S. Craig Zahler Em 1969, Sam Peckinpah (1925–1984) estreou “The Wild Bunch”. Um conto sanguinolento acerca de um bando de velhos cowboys envolvidos nas convulsões da fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde já não existiam heróis clássicos, mas sim homens errantes, cada vez mais inadaptados a um tempo que os tinha reduzido a meras lendas distantes, incapazes de desenhar uma linha clara entre o Bem e o Mal. Aquando do seu lançamento, Hollywood nem desconfiava da viabilidade do género que ainda era o modelo de produção mais rentável do momento: o western. No entanto, o mesmo começaria a falecer aí mesmo. Porquê? Pois bem, porque Peckinpah foi o primeiro a entender que a simplicidade reconfortante da aventura mitológica dos bons contra os maus era coisa do passado. Ou seja, regressar ao Velho Oeste implicaria mergulhar de cabeça numa história de violência dantesca, eternamente assombrada pelos fantas...
"Her Smell" ("Her Smell: A Música nas Veias"), de Alex Ross Perry Em “Her Smell: A Música nas Veias” (convenhamos, um subtítulo dispensável), Elisabeth Moss consegue desempenhar uma tarefa que nunca ninguém parece capaz de executar. Isto é, remover todo o glamour e sensualidade da persona de uma estrela de rock, a sua Becky Something, é líder de uma banda que punk que já viu melhores dias, no entanto, os fãs continuam a encará-la como uma figura messiânica digna de uma adoração permanente. Aliás, quando a conhecemos na primeira cena da sexta longa-metragem de Alex Ross Perry (cujos títulos anteriores tinham sido estreados no IndieLisboa, mas nunca distribuídos no circuito comercial português), até somos capazes de compreender o que move os seus seguidores. A atitude rebelde, a voz possante, o carisma, a maneira como se apodera do clássico “Another Girl Another Planet” (Only Ones, 1978) e o reinventa à sua imagem. De facto, sentimos que acabamos de assistir ...
"High Life", de Claire Denis Algures no espaço sideral, uma nave viaja pela imensidão desse vazio interminável. Como um túmulo ambulante, no qual habitam os resquícios de uma tripulação há muito perdida. Um homem, de nome Monte (Robert Pattinson), e a sua filha Willow (Scarlett Lindsey, em criança, Jessie Ross, em adolescente), vivem uma existência desencantada e pobre, conservada única e exclusivamente por um intrincado sistema de tubagem industrial. Por entre corredores escuros e jardins desordenados, ele ensina-a a andar, alimenta-a e dedica toda a sua existência à bebé, única companheira viva que ainda permanece a seu lado e eterna violadora da solidão em que Monte se parece querer confortar. Num dia, talvez o mesmo em que ele deita fora os cadáveres dos antigos companheiros e os deixa a flutuar no vácuo, Monte fala a Willow de tabus. Segundo o pai pedagogo, beber e comer os próprios dejectos é um tabu, mesmo que os mesmos já tenham sido reciclados. Dessa forma, ...
"The House That Jack Built: A Casa de Jack", de Lars Von Trier Aquando da passagem de  “Melancolia”  pelo Festival de Cannes de 2011, o dinamarquês Lars Von Trier protagonizou um dos momentos mais rocambolescos da história do evento, quando confessou sentir alguma simpatia por Adolf Hitler. Acontece que, o sucedido se resumiu a uma tentativa jocosa de provocar a imprensa. No entanto, as repercussões dessa brincadeira inocente continuam mesmo a promover clivagens insuperáveis entre os seus espetadores. Nesse sentido, é expectável que alguns dos admiradores do cineasta (entre os quais nos incluímos) tentem argumentar que importará encarar  “The House that Jack Built”  (lançado com o subtítulo  "A Casa de Jack" ) somente como um “filme normal”. Contudo, apetece-nos dizer que Von Trier pretende precisamente o oposto. Porquê? Pois bem, citando o próprio autor: “O Jack sou eu, a única diferença é que não mato pessoas.” Nesse sentido, convenhamos, que  “...