"O Bar da Luva Dourada", de Fatih Akin Berlim, 2019. Celebridades internacionais reúnem-se para celebrar um festival a 69º edição de um dos festivais de cinema mais importantes do mundo. No entanto, multiplicam-se as vozes que questionam os critérios de uma equipa de programação que parece mais interessada em corresponder a um ideal que em apresentar filmes desafiantes. Apesar de tudo, é compreensível. Afinal, quando se tem o patrocínio da Cartier, um verdadeiro ajuntamento de caras conhecidas a pousar para as revistas cor-de-rosa e uma imagem familiar e bem-pensante a defender, ninguém tem paciência, nem vontade para cinema perturbante. Logo, não é de espantar que a passagem de uma obra que chafurda tão alegremente na sargeta da miséria humana como “O Bar da Luva Dourada” tenha desencadeando vómitos, desmaios e protestos. O mundo não demorou a providenciar-lhe o cognome de “filme choque”, mas o que Akin faz é muito mais interessante que isso. De facto, o alemão conv...