"Antidepressivo Árabe", de Manele Labidi Quem conhecer a cinematografia francesa, certamente lhe reconhecerá uma capacidade invulgar para analisar os costumes de determinados locais por via do sentido de humor, sem simplismos panfletários ou maniqueísmos redutores. Um bom exemplo dessa prática é a primeira longa-metragem da franco-tunisina Manele Labidi, intitulada "Antidepressivo Árabe", onde se propõe a colocar a mentalidade de toda uma nação no divã de um consultório de psicologia. Em causa, está a história de Selma, uma psicanalista que regressa de Paris à sua Argélia natal com um sonho, que é também uma ideia de negócio. Fazer uso de um terraço para dar consultas aos habitantes da zona. O resultado é um arrebatador sucesso. No entanto, esquece-se que necessita de meter papéis para legalizar o seu ofício, o que a vai aprisionar num processo aparentemente interminável de lenta burocracia, acompanhado pelo preconceito perante a psicoterapia que vai tendo q...