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Crítica: "Os Dois Amigos", de Louis Garrel


Título Original: "Les deux amis"
Realização: Louis Garrel
Argumento: Louis GarrelChristophe Honoré
Elenco: Vincent MacaigneGolshifteh FarahaniLouis Garrel
Género: Comédia, Romance, Drama
Duração: 100 minutos
País: França
Ano: 2015
Distribuidor: Legendmain Filmes
Classificação Etária: M/14
Data de Estreia (Portugal): 07/07/2016

Crítica: No mesmo ano em que Philippe Garrel estreou aquele que fica para a história da sétima arte como um dos seus melhores filmes ("À Sombra das Mulheres", lançado entre nós no passado mês de Março), o filho Louis assina a primeira longa-metragem (após três curtas) enquanto cineasta e, embora as obras em questão sejam notoriamente diferentes a vários níveis, é seguro afirmar que esta família continua constante e consistentemente a agraciar-nos com grande cinema. Desta vez, através desta belíssima tragicomédia sobre Clément (Vincent Macaigne), um ator fracassado que trabalha como figurante em filmes e, vive perdidamente apaixonado por Mona (Golshifteh Farahani), empregada de um café na estação de comboios. Porém, Mona esconda um segredo que a torna evasiva, levando Clément a um estado de desespero, que o convence a pedir ajuda ao seu único e melhor amigo, Abel (Garrel), para conquistar o coração da rapariga. Recuperando as personagens e, os atores da sua curta-metragem anterior, "La règle de trois", Garrel dá-nos uma lição de cinema com esta sua primeira obra, onde encena com invejável mestria uma, ou talvez várias pequenas tragédias íntimas, sempre algures entre a melancolia serena e silenciosa e o humor desconfortável, onde salta a vista uma interpretação "monstruosa" (no melhor sentido possível) do enorme Vincent Macaigne (justamente homenageado como o Herói Independente da passada edição do IndieLisboa) e, do próprio Garrel (que além de dirigir e protagonizar, também escreve o filme a meias com o seu amigo e colaborador de longa data Christophe Honoré), excelente como sempre. Assim, Garrel surpreende e, deixa-nos com expetativas elevadíssimas para os seus próximos projetos enquanto cineasta, tudo graças a um filme milagroso, com uma candura comovente e fascinantes ecos do cinema da Nouvelle Vague. Longa vida ao clã Garrel!

Texto de Miguel Anjos

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