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A mostrar mensagens com a etiqueta Mia Goth
"High Life", de Claire Denis Algures no espaço sideral, uma nave viaja pela imensidão desse vazio interminável. Como um túmulo ambulante, no qual habitam os resquícios de uma tripulação há muito perdida. Um homem, de nome Monte (Robert Pattinson), e a sua filha Willow (Scarlett Lindsey, em criança, Jessie Ross, em adolescente), vivem uma existência desencantada e pobre, conservada única e exclusivamente por um intrincado sistema de tubagem industrial. Por entre corredores escuros e jardins desordenados, ele ensina-a a andar, alimenta-a e dedica toda a sua existência à bebé, única companheira viva que ainda permanece a seu lado e eterna violadora da solidão em que Monte se parece querer confortar. Num dia, talvez o mesmo em que ele deita fora os cadáveres dos antigos companheiros e os deixa a flutuar no vácuo, Monte fala a Willow de tabus. Segundo o pai pedagogo, beber e comer os próprios dejectos é um tabu, mesmo que os mesmos já tenham sido reciclados. Dessa forma, ...
"Suspiria", de Luca Guadagnino Aquando da passagem de “Suspiria” (2018) pelo Festival de Veneza, Luca Guadagnino autodescreveu-se como “a stalker of master filmmakers”, e aproveitou a ocasião para partilhar um caricato episódio da sua adolescência, que comprovaria esse mesmo título. Quando tinha apenas 14 anos, viu “Suspiria” (1977) em Palermo, e abandonou a projeção em estado de êxtase. Nos dias que se seguiram, falou incessantemente do filme em causa a todas as pessoas com quem se cruzava, até que um conhecido lhe segredou que o seu autor, Dario Argento , costumava almoçar num restaurante relativamente próximo. O resultado? Pois bem, Guadagnino , nem sequer dedicou uns meros segundos a pensar acerca do assunto, preferindo limitar-se a correr em direção ao estabelecimento, e encostar a sua face ao vidro, para contemplar o seu ídolo enquanto comia. Porventura, parecerá anedótico (convenhamos, tem a sua piada), no entanto, a génese do pensamento do italiano com...
Crítica: "O Segredo de Marrowbone" Argumentista de “O Orfanato”, de Juan Antonio Bayona, Sérgio G. Sánchez não possuirá ainda a popularidade de alguns contemporâneos seus, no entanto, esta sua primeira longa-metragem poderá mesmo mudar isso. Essencialmente, um conto classicamente romântico sobre um quarteto de irmãos que juraram nunca separar-se. O resultado anda algures entre as histórias dos Irmãos Grimm e alguns títulos do mexicano Guillermo del Toro. Tudo acontece numa recôndita vila americana, em 1929. Jack e os seus irmãos mais novos Jane, Billy e Sam, habitam na antiquíssima mansão da família Marrowbone, uma herdade em ruínas abandonada há muitos anos. Inicialmente, aparentam ter finalmente encontrado alguma paz interior, no entanto, depois do falecimento da mãe, o medo de serem enviados para um orfanato, conduz os quatro a enterrar o corpo no jardim da casa e, a manter a sua morte em segredo até Jack fazer 21 anos. Ora, adiantar...