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"En Liberté!" ("Em Liberdade"), de Pierre Salvadori Vivemos no tempo das franquias. Quase semanalmente deparamos com uma sequela, remake ou reinvenção de personagens e cenários que nos são familiares e, por isso, mais fáceis de vender. Do ruidoso “Velocidade Furiosa: Hobbs e Shaw” ao penoso “Rei Leão”, quem entrar num multiplex contemporâneo e atirar uma pedra ao ar ou acerta na cabeça de um pobre empregado desprevenido ou num standee a anunciar uma enésima variação sobre o mesmo conceito base. Como tal, é especialmente refrescante tropeçar numa experiência cinematográfica tão enriquecedora e fascinante como “Em Liberdade!”, a nona longa-metragem do cineasta italiano radicado em França, Pierre Salvadori, de quem apenas conhecíamos algumas simpáticas comédias de enganos como “Faça Favor…” (2033) ou “Uma Doce Mentira” (2010). Um daqueles acontecimentos que apenas podemos descrever como “inclassificáveis". Os primeiros minutos trazem à mente um certo ...
Destaque da Semana: Outras Estreias: Estreia a 03/08/2019: (Exclusivo Medeia Filmes)
"Domino" ("A Hora da Vingança"), de Brian De Palma Tornou-se impossível escapar à crueldade da ironia: os autores que fizeram as “novas vagas” mundiais dos anos 60 e 70 são hoje os burgueses acomodados contra os quais se ergueram outrora, como se se tivessem conformado a um destino no qual já não se conseguem empenhar. Felizmente, ainda podemos depositar a nossa confiança nos últimos moicanos da Nova Hollywood. Gente como Martin Scorsese, Peter Bogdanovich, Paul Schrader ou Brian De Palma. Posto isto, convenhamos, que no mercado contemporâneo nenhum deles tem conseguido convencer os estúdios norte-americanos a providenciar-lhes financiamento necessário para filmar as suas obras. No caso de Scorsese tal condição forçou-o a virar-se para o universo das plataformas de streaming (em 2019, duas longas-metragens suas estrearam-se na Netflix) no de Bogdanovich conduziu-o a uma reforma antecipada e enquanto Schrader encontrou uma segunda vida num cinema experimentali...
Destaque da Semana: Outras Estreias:
“Child's Play" ("O Boneco Diabólico"), de Lars Klevberg Porquê refazer um filme? Para espremer mais uns trocos de uma marca ou para a reinventar? Convenhamos, que quem financia este estilo de produções tende a preocupar-se somente com a componente monetária, no entanto, porque não tentar cumprir ambas as premissas? Afinal, alguns dos maiores acontecimentos cinematográficos de todo o sempre, eram mesmo remakes. “Por um Punhado de Dólares” (Sergio Leone, 1964), “O Comboio do Medo” (William Friedkin, 1977), “Veio do Outro Mundo” (John Carpenter, 1982) e a lista continua… Ora, adotando esse raciocínio entendemos que o problema não é a ideia de reutilizar personagens e situações pré-existentes, mas sim a preguiça na hora de as reinventar. Nesta perspetiva, é preciso admitir que os ícones do cinema de terror dos anos 70/80 têm sofrido particularmente dessa maleita. Pensemos em “Pesadelo em Elm Street” (Samuel Bayer, 2010), que só ambicionava mesmo copiar as sequênci...
Destaque da Semana: Outras Estreias: (Exclusivo Cinema Ideal) Em Reposição:
"Dragged Across Concrete" ("Na Sombra da Lei"), de S. Craig Zahler Em 1969, Sam Peckinpah (1925–1984) estreou “The Wild Bunch”. Um conto sanguinolento acerca de um bando de velhos cowboys envolvidos nas convulsões da fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde já não existiam heróis clássicos, mas sim homens errantes, cada vez mais inadaptados a um tempo que os tinha reduzido a meras lendas distantes, incapazes de desenhar uma linha clara entre o Bem e o Mal. Aquando do seu lançamento, Hollywood nem desconfiava da viabilidade do género que ainda era o modelo de produção mais rentável do momento: o western. No entanto, o mesmo começaria a falecer aí mesmo. Porquê? Pois bem, porque Peckinpah foi o primeiro a entender que a simplicidade reconfortante da aventura mitológica dos bons contra os maus era coisa do passado. Ou seja, regressar ao Velho Oeste implicaria mergulhar de cabeça numa história de violência dantesca, eternamente assombrada pelos fantas...