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Crítica: "Hardcore", de Ilya Naishuller


Título Original: "Hardcore Henry"
Realização: Ilya Naishuller
Argumento: Ilya Naishuller
Elenco: Sharlto CopleyTim RothHaley Bennett
Género: Ação, Aventura, Ficção-Científica
Duração: 96 minutos
País: Rússia | EUA
Ano: 2015
Distribuidor: Cinemundo
Classificação Etária: M/18
Data De Estreia (Portugal): 07/04/2016

Tudo começou há três anos atrás, quando o cineasta russo Ilya Naishuller se tornou viral com o videoclipe dos Biting Elbows "Bad Motherfucker", um exercício de estilo e ultra violência em 5 minutos, que fez de Naishuller um nome a ter em conta. Agora, temos direito a "Hardcore", que é basicamente uma versão de 96 minutos de "Motherfucker" só que ainda mais louco e violento. A história é simples (vá, mais ou menos): Akan, um psicopata sádico com superpoderes assassinou Henry de forma brutal. No entanto, a sua mulher conseguiu trazê-lo de volta dos mortos no corpo de um ciborgue. Só que, não demora até que Akan descubra acerca do sucedido e volte para acabar o trabalho, o que este não sabe é que Henry está mais poderoso, determinado e, acima de tudo, zangado, do que nunca. Toda a narrativa é apresentada a partir do ponto de vista do protagonista, o que como é óbvio não resulta numa narrativa vulgar, muito pelo contrário, "Hardcore" é uma experiência como nunca tivemos, um thriller de ação irreverente, ousado e incrivelmente insano, repleto de sequências de ação muitíssimo bem coreografadas (e, extremamente sangrentas, porque isto não é para gente sensível). É um daqueles filmes que tem "clássico de culto" escrito por todo o lado e se é claro que algo assim tão experimental nunca será para todos os gostos, é o tipo de coisa que os espetadores mais aventureiros não vão querer perder, e fazem bem, porque "Hardcore" é mesmo uma das grandes experiências cinematográficas do ano.

Texto de Miguel Anjos

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