Avançar para o conteúdo principal

Cinema

Crítica: "A Bela e o Monstro", de Bill Condon


Título Original: "Beauty and the Beast"
Realização: Bill Condon
Género: Família, Romance, Musical
Duração: 123 minutos
Distribuidor: NOS Audiovisuais
Classificação Etária: M/6
Data de Estreia (Portugal): 16/03/2017

Que cineasta deliciosamente irregular é Bill Condon. Um nome oriundo do mais ou menos desinteressante panorama televisivo dos anos 90, que mais tarde se assumiu como sendo um realizador de peculiar versatilidade, trabalhando filmes que variam em tom e género, de forma completamente radical. E, como qualquer outro artista com um currículo assim tão diverso (característica que só muito raramente é acompanhada por consistência), vai acertando e errando constantemente, alternando entre pequenos milagres (um dos seus últimos Mr. Holmes, que coloca o emblemático inspetor de Baker Street no centro de um conto elegíaco e francamente comovente, constitui o seu maior triunfo) e, desastres mais suaves (como a biografia de Julian Assange, O Quinto Poder que foi um dos maiores flops do seu respetivo ano e, quase colocou a carreira do cineasta no caixote). Agora, é mesmo ele quem vemos ao leme deste remake bonitinho, que a Disney encomendou de uma das suas fitas mais queridas (A Bela e o Monstro, 1991) e, os resultados são maioritariamente positivos, correspondendo a um espetáculo visual absolutamente deslumbrante (existem aqui imagens impactantes), com números musicais muitíssimo bem coreografados e, um romantismo cândido comovente, que só peca mesmo por cair nalguns erros que são para lá de básicos, nomeadamente o tratamento altamente questionável de Lefou, a primeira personagem (abertamente) homossexual a marcar presença numa produção Disney que, por melhores que tenham sido as atenções, só aparece em cena para ser alvo de chacota em momentos humorísticos francamente dispensáveis e, o rocambolesco casting de uma atriz que nunca se consegue enquadrar neste registo (Emma Watson, já mostrou talento no passado, mas aqui simplesmente não funciona). Ainda assim, Condon partiu em busca do espirito de algum cinema clássico profundamente enraizado no imaginário do musical e, consegue-o quase sempre com doses consideráveis de sofisticação e requinte.

7/10
Texto de Miguel Anjos

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Flow - À Deriva" ("Straume"), de Gints Zilbalodis

Não devemos ter medo de exaltar aquilo que nos parece "personificar", por assim dizer, um ideal de perfeição. Consequentemente, proclamo-o, sem medos, sem pudores, "Flow - À Deriva", do letão Gints Zilbalodis é um dos melhores filmes do século XXI. Um acontecimento estarrecedor, daqueles que além de anunciar um novo autor, nos providencia a oportunidade rara, raríssima de experienciar "cinema puro". O conceito é simultaneamente simples e complexo. Essencialmente, entramos num mundo que pode ou não ser o nosso, onde encontramos apenas natureza, há resquícios do que pode, eventualmente, ter sido intervenção humana, mas, permanecem esquecidos, abandonados, nalguns casos, até consumidos pela vegetação. Um dia, um gato, solitário por natureza, é confrontado com um horripilante dilúvio e, para sobreviver, necessita de se unir a uma capivara, um lémure-de-cauda-anelada e um cão. Segue-se uma odisseia épica, sem diálogos, onde somos convidados (os dissidentes, cas...

CRÍTICA - "MEU FILHO"

Depois de interpretar treze personagens distintas em  "Fragmentado" , de M. Night Shyamalan, James McAvoy continua a procurar desafios atípicos. Em  "Meu Filho" , o francês Christian Carion, que reconheceremos de  "Feliz Natal"  e  "O Caso Farewell" , propôs-lhe uma experiência curiosa. Trata-se de um thriller policial, antiquado nos seus moldes narrativos e estéticos, mas ousado na sua execução, uma vez que, McAvoy, o protagonista da trama, nunca leu o argumento, tendo passado todo o processo de rodagem a improvar as suas cenas, de acordo com as indicações gerais que lhe iam sendo providenciadas. Ou seja, e aqui parafraseamos o trailer do filme, em  "Meu Filho" , McAvoy "descobre cada  twist , ao mesmo tempo que o espetador". Edmond (McAvoy) e Joan (Claire Foy) separaram-se há muitos anos. Ele encontra-se constantemente em viagens de trabalho e, por conseguinte, mantém uma relação relativamente distante de Ethan (Max Wilson),...