Avançar para o conteúdo principal

Cinema

Crítica: "Ghost In The Shell: Agente do Futuro", de Rupert Sanders



Título Original: "Ghost In The Shell"
Realização: Rupert Sanders
Argumento: Jamie MossWilliam WheelerEhren Kruger
Elenco: Scarlett Johansson, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano, Juliette Binoche, Michael Pitt
Género: Ação, Crime, Drama
Duração: 107 minutos
Distribuidor: NOS Audiovisuais
Classificação Etária: M/12
Data de Estreia (Portugal): 30/03/2017

Com o competente A Branca de Neve e o Caçador (simpática fita de aventuras, que nunca atingia elevados patamares de qualidade, devido a um argumento, que se contentava com pouco), Rupert Sanders assumiu-se como um cineasta capaz de construir uma requintada arquitetura cenográfica, como poucos em atividade na indústria norte-americana dos dias que correm. Anos depois, reencontramos o seu cinema deliciosamente esteticista na muito aguardada adaptação cinematográfica hollywoodesca do emblemático clássico japonês de Mamuro Oshii, Ghost In The Shell (1995), que se contará certamente entre as melhores e mais inusitadas surpresas do momento, oferecendo a um autor que já conhecíamos como um esteta de excelência, um argumento apropriadamente complexo e, deveras engenhoso na maneira como vai cruzando vários géneros. Assim, a história de uma mulher amnésica, que acorda num laboratório com mais partes robóticas no corpo do que humanas e, acaba a trabalhar para as supostas forças da lei, do futuro desolado que habita, assume contornos inesperadamente intimistas e francamente tocantes, combinando com sufocante e tortuoso brilhantismo a jornada de autodescoberta da protagonista, com elementos atualíssimos de crítica social e, sem nunca se esquecer de funcionar também como um belo filme de ação (com um par de sequências simplesmente alucinantes, pelo caminho). É um dos melhores blockbusters que tivemos o prazer de ver recentemente (e, atenção que contrariamente ao que é habitual, Hollywood tem andado fortíssima neste departamento, como têm indicado os primeiros meses deste novo ano), sentimento de prazer esse que só se intensifica, como é óbvio, ao podermos passar duas horas na companhia de maravilhosos atores como o são Scarlett Johansson, Juliette Binoche, Pilou Asbaek, Takeshi Kitano e Michael Pitt.

8/10
Texto de Miguel Anjos

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Flow - À Deriva" ("Straume"), de Gints Zilbalodis

Não devemos ter medo de exaltar aquilo que nos parece "personificar", por assim dizer, um ideal de perfeição. Consequentemente, proclamo-o, sem medos, sem pudores, "Flow - À Deriva", do letão Gints Zilbalodis é um dos melhores filmes do século XXI. Um acontecimento estarrecedor, daqueles que além de anunciar um novo autor, nos providencia a oportunidade rara, raríssima de experienciar "cinema puro". O conceito é simultaneamente simples e complexo. Essencialmente, entramos num mundo que pode ou não ser o nosso, onde encontramos apenas natureza, há resquícios do que pode, eventualmente, ter sido intervenção humana, mas, permanecem esquecidos, abandonados, nalguns casos, até consumidos pela vegetação. Um dia, um gato, solitário por natureza, é confrontado com um horripilante dilúvio e, para sobreviver, necessita de se unir a uma capivara, um lémure-de-cauda-anelada e um cão. Segue-se uma odisseia épica, sem diálogos, onde somos convidados (os dissidentes, cas...

"Oh, Canada", de Paul Schrader

Contemporâneo de Martin Scorsese, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola, Paul Schrader nunca conquistou o estatuto de "popularidade" de nenhum desses gigantes... e, no entanto (ou, se calhar, por consequência de), é, inquestionavelmente, o mais destemido. Em 1997, "Confrontação", a sua 12ª longa-metragem, tornou-se num pequeno sucesso, até proporcionou um Óscar ao, entretanto, falecido James Coburn. Acontece que, o mediatismo não o deslumbrou, pelo contrário, Schrader tornou-se num cineasta marginal, aberto às mais radicais experiências (a título de exemplo, mencionemos "Vale do Pecado", com Lindsay Lohan e James Deen). Uma das personas mais fascinantes do panorama cultural norte-americano, parecia ter escolhido uma espécie de exílio, até que, "No Coração da Escuridão", de 2017, o reconciliou com o público. Aliás, o filme representou o início de uma espécie de trilogia, completada por "The Card Counter: O Jogador", em 2021, e "O ...