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Os Melhores do Ano:
"Violeta", de Kantemir Balagov Caso nos pedissem para enumerar cineastas russos contemporâneos, é bem possível que não conseguíssemos aguentar muito tempo. Afinal, todos conhecemos Andrey Zvyagintsev, Timur Bekmambetov, Aleksandr Sokurov ou Andrei Konchalovsky, mas… e os outros? Os filmes de Andrei Tarkovski e Sergei Eisenstein continuam a circular livremente (a Leopardo Filmes dedicou mesmo uma retrospetiva ao primeiro há relativamente pouco tempo), no entanto, fora lançamentos pontuais de filmes de realizadores que nunca reencontramos no circuito comercial de salas, pouco ou nada sabemos sobre a produção russa contemporânea. Serve isto para dizer que nenhum espetador que tenha como base única e exclusivamente as longas-metragens que os distribuidores portugueses lhe providenciam não pode dizer que conhece bem essa cinematografia, pelo que, qualquer tentativa de encontrar padrões estéticos, narrativos ou temáticos é apenas e só um exercício especulativo. No entanto...
Destaque da Semana: Outras Estreias:
"Bacurau", de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles O cinema brasileiro como o conhecemos encontra-se às portas da morte. Afinal, parece mesmo que todas as semanas recebemos novas informações acerca das formas tacanhas e cobardes que o Governo escolheu utilizar para silenciar os seus autores. Acontece que, os mesmos se recusam a desaparecer silenciosamente, de modo a permitir a pequenos fascistas que vivam sem terem de enfrentar vozes dissonantes. Exemplos modelares disso mesmo são as novas longas-metragens de realizadores como Gabriel Mascáro ( Divino Amor ) ou Wagner Moura ( Marighella ). No entanto, mesmo num contexto de um ano tão rico em cinema corrosivo e desafiante, parece-nos mais ou menos inevitável reconhecer que o representante máximo desse “movimento” (chamemos-lhe assim) contestatório será o Bacurau , de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, um western nordestino (Glauber Rocha ficaria orgulhoso), que cruza géneros (o realismo coabita com compone...
Destaque da Semana: (Exclusivo Cinema Trindade) Outras Estreias: (Exclusivo UCI Cinemas)
"Graças a Deus", de François Ozon O contexto é tudo. Por vezes, esquecemo-nos dessa evidência, especialmente num mundo comandado por fake news , hot takes , sound bites e os muitos outros estrangeirismos que nos auxiliam a entender as convulsões do panorama contemporâneo. Por exemplo, quem não souber nada acerca de François Ozon (autor de títulos como Frantz , O Amante Duplo ou O Tempo que Resta e um dos mais prolíficos e consistentes cineastas vivos) e desta sua vigésima longa-metragem, talvez interprete o título Graças a Deus como sendo um apelo religioso, porventura, ligado a um daqueles filmes evangélicos que só nos querem mesmo convencer a ir à Igreja (pensemos em Deus não está Morto ou O Céu Existe Mesmo ) e rejeitá-lo como tal (seria um erro). Os que souberem que se trata da evocação das ramificações das múltiplas vítimas de um padre gaulês que terá abusado de dezenas de escuteiros, pode ser levado a assumir que Ozon escolheu o nome da sua obra num gesto iró...
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