Avançar para o conteúdo principal


"Ninguém", de Ilya Naishuller

E se, "Beleza Americana" tivesse como personagem central um assassino implacável como John Wick? Parece ser esse o pensamento que se encontrou na origem de "Ninguém", um cruzamento demencial de comédia e ação, sobre um ex-auditor da CIA que vê uma oportunidade de abandonar a passividade que passou a comandar o seu quotidiano, quando um incidente violento o coloca na mira de um intimidante membro do submundo do crime organizado. Imbuído de um sentido de humor irreverente, pontuado por sanguinolentas sequências de ação de deixar qualquer um boquiaberto, "Ninguém" é o equivalente de um suculento naco de carne mal passado e não há problema nenhum com isso. Os fãs do cinema de pancadaria já tinham motivos para manter ter o russo Ilya Naishuller debaixo de olho, agora fica confirmado que ele é mesmo um dos mestres contemporâneos no seu campo.

Texto de Miguel Anjos

Comentários

Mensagens populares deste blogue

"Flow - À Deriva" ("Straume"), de Gints Zilbalodis

Não devemos ter medo de exaltar aquilo que nos parece "personificar", por assim dizer, um ideal de perfeição. Consequentemente, proclamo-o, sem medos, sem pudores, "Flow - À Deriva", do letão Gints Zilbalodis é um dos melhores filmes do século XXI. Um acontecimento estarrecedor, daqueles que além de anunciar um novo autor, nos providencia a oportunidade rara, raríssima de experienciar "cinema puro". O conceito é simultaneamente simples e complexo. Essencialmente, entramos num mundo que pode ou não ser o nosso, onde encontramos apenas natureza, há resquícios do que pode, eventualmente, ter sido intervenção humana, mas, permanecem esquecidos, abandonados, nalguns casos, até consumidos pela vegetação. Um dia, um gato, solitário por natureza, é confrontado com um horripilante dilúvio e, para sobreviver, necessita de se unir a uma capivara, um lémure-de-cauda-anelada e um cão. Segue-se uma odisseia épica, sem diálogos, onde somos convidados (os dissidentes, cas...

CRÍTICA - "MEU FILHO"

Depois de interpretar treze personagens distintas em  "Fragmentado" , de M. Night Shyamalan, James McAvoy continua a procurar desafios atípicos. Em  "Meu Filho" , o francês Christian Carion, que reconheceremos de  "Feliz Natal"  e  "O Caso Farewell" , propôs-lhe uma experiência curiosa. Trata-se de um thriller policial, antiquado nos seus moldes narrativos e estéticos, mas ousado na sua execução, uma vez que, McAvoy, o protagonista da trama, nunca leu o argumento, tendo passado todo o processo de rodagem a improvar as suas cenas, de acordo com as indicações gerais que lhe iam sendo providenciadas. Ou seja, e aqui parafraseamos o trailer do filme, em  "Meu Filho" , McAvoy "descobre cada  twist , ao mesmo tempo que o espetador". Edmond (McAvoy) e Joan (Claire Foy) separaram-se há muitos anos. Ele encontra-se constantemente em viagens de trabalho e, por conseguinte, mantém uma relação relativamente distante de Ethan (Max Wilson),...