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"Vox Lux", de Brady Corbet

Que papel desempenha o espetador nos filmes que escolhe experienciar? Porventura, assemelhar-se-á a uma pergunta meramente académica, interessante apenas para os mais obsessivos teóricos. No entanto, qualquer autor digno desse honroso título necessita de conseguir assumir uma posição perante tamanha interrogação. Uns encaram o seu público como um conjunto de participantes ativos num processo de reflexão, outros como confidentes a quem é possível comunicar até os desejos e incertezas mais obscuros. Escusado será dizer, ambas opções viáveis e potencialmente fascinantes. Contudo, o caso de Brady Corbet é outro. Aos olhos do californiano, o ato mais poderoso que pudemos levar a cabo é mesmo limitarmo-nos a ver e assumir a posição de “testemunhas”. Na sua primeira longa-metragem, “A Infância de um Líder”, guiávamo-nos pelos corredores da luxuosa residência de uma família burguesa, na Europa do Século XX, cujo quotidiano ia sendo lentamente contaminado pe…
Destaque da Semana:
"Vox Lux"

Realização: Brady Corbet
Argumento: Brady Corbet
Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Stacy Martin
"The House That Jack Built: A Casa de Jack", de Lars Von Trier

Aquando da passagem de “Melancolia” pelo Festival de Cannes de 2011, o dinamarquês Lars Von Trier protagonizou um dos momentos mais rocambolescos da história do evento, quando confessou sentir alguma simpatia por Adolf Hitler. Acontece que, o sucedido se resumiu a uma tentativa jocosa de provocar a imprensa. No entanto, as repercussões dessa brincadeira inocente continuam mesmo a promover clivagens insuperáveis entre os seus espetadores. Nesse sentido, é expectável que alguns dos admiradores do cineasta (entre os quais nos incluímos) tentem argumentar que importará encarar “The House that Jack Built” (lançado com o subtítulo "A Casa de Jack") somente como um “filme normal”. Contudo, apetece-nos dizer que Von Trier pretende precisamente o oposto. Porquê? Pois bem, citando o próprio autor: “O Jack sou eu, a única diferença é que não mato pessoas.”

Nesse sentido, convenhamos, que “The House that Jack Built” …
"O Cavalheiro com Arma", de David Lowery

Quem conhecer o cinema do americano David Lowery, certamente, reconhecerá nele um representante de uma certa corrente humanista que encontra as suas raízes no trabalho de autores como Terrence Malick ou Richard Linklater. No entanto, o texano possui uma outra paixão cinéfila: os westerns. Aqueles contos sanguinolentos de heróis incorruptiveis que lutavam contra as instituições que os oprimiam. Contudo, os seus filmes sempre foram mais contemplativos e menos contestatários, por exemplo, veja-se o comovente “História de um Fantasma”, olhar melancólico sobre a condição humana em tom fantasmático. Acontece que, tudo muda no estonteante “O Cavalheiro com Arma”. Um melodrama gentil, que reinventa Robert Redford como um charmoso e simpatiquíssimo cowboy contemporâneo, que rouba bancos, não por necessidade, mas por prazer.
Chamou-se Forrest Tucker (1920-2004), escapou 16 vezes de diferentes recintos prisionais e nunca perdeu a emoção que sentia…