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A mostrar mensagens de Novembro, 2017
Crítica: "I Love You, Daddy", de Louis C.K.



O mundo nunca mais olhará Louis C.K. da mesma maneira, depois de cinco acusações de assédio sexual. E, no processo, a sua primeira longa enquanto cineasta aparenta ter sido severamente punida nos Estados Unidos, a ponto do distribuidor local o ter abandonado “à morte”. Lamentável, em especial, quando temos em conta que “I Love You, Daddy” é um dos mais singulares acontecimentos cinematográficos do ano. Uma crónica negra e melancólica sobre um humorista que necessita de lidar com a atração que a filha menor, sente por um cineasta de quase 70 anos, sobre quem recai a suspeita de um caso de pedofilia nunca confirmado. As influências de Woody Allen (sendo “Manhattan” uma fonte de inspiração particularmente notória) serão mais ou menos óbvias e, as temáticas que se discutem (sexo, política, divórcio ou paternidade, mencionando apenas alguns), acompanhadas daquele humor tipicamente depreciativo, pertencem muito claramente aos cânones do s…
Destaque da Semana: "I Love You, Daddy", de Louis C.K.

Primeiras Imagens: "Mary Magdalene", de Garth Davis

Crítica: "Woodshock", de Laura Mulleavey e Kate Mulleavey



Só muito raramente nos encontramos nesta situação com um filme, porém felizmente ainda existem casos pontuais disso mesmo. Ora e, queremos com isto dizer, que Laura e Kate Mulleavy compuseram com o seu “Woodshock”, um elegante quadro de imensa melancolia, que rapidamente se transforma numa experiência intoxicante e hipnótica, que nunca poderíamos descrever corretamente, recorrendo a palavras. Tudo acontece em torno de Dunst, aqui como uma mulher, que se vê eternamente aprisionada numa espiral decadente, após o falecimento da mãe, que ameaça aniquilá-la a ela e, a todos os homens que a rodeiam. É um filme indescritível, pleno de muitas sensações e riscos, que nos conduz por entre um universo desolado, de isolamento e mágoa cortante com mão de mestre. E, Kirsten Dunst é simplesmente extraordinária.

Realização: Kate Mulleavy, Laura Mulleavy Argumento: Kate Mulleavy, Laura Mulleavy Elenco: Kirsten Dunst, Joe Cole, Pilou Asbæk
Crítica: "Só Para Bravos" ("Only The Brave"), de Joseph Kosinski


Tanto nos queixamos do quase desaparecimento daquele cinema comercial de qualidade, pensado para um público adulto e inteligente, que Hollywood costumava produzir "como se não houvesse amanhã", que se torna irónico que quando surge um título assim, ninguém lhe preste atenção. Ora, esse aparenta ser o caso desta excelente fita do arquiteto tornado cineasta Joseph Kosinski. Uma homenagem sincera, digna e genuinamente comovente a um grupo de bombeiros profissionais do Arizona, os Granite Mountain Hotshots, que em 2013, combateram heroicamente um incêndio, que deflagrou no coração dos Estados Unidos. Sabiamente, Kosinski, que é oriundo do mundo dos blockbusters multimilionários, escolheu evitar a espetacularidade exacerbada (e, demos— lhe mérito, também não se "atirou" para o sentimentalismo mais banal) e, resolveu dar prioridade as suas personagens e aos seus problemas quotidianos. Des…
Destaque da Semana: "Só Para Bravos" ("Only The Brave"), de Joseph Kosinski

Crítica: "A Vida de um Génio" ("Rebel In The Rye"), de Danny Strong



Comecemos por mencionar o óbvio. Kevin Spacey nunca mais será olhado como antes. E, “A Vida de um Génio” consta entre os mais entediantes e genéricos títulos nacionais dos últimos anos. Posto isto, nem os comportamentos questionáveis de um ator, nem uma nomenclatura infeliz, constituem razões para ignorar um bom filme e, algures por baixo dessas pequenas problemáticas é mesmo isso, que encontramos aqui. Colocado de forma manifestamente simplista, esta estreia na realização do argumentista Strong é um caso de exemplar de cinema adulto, arrumadinho e extremamente bem atuado, como não recebemos todos os dias. Um retrato afetuoso e ocasionalmente comovente de um dos maiores romancistas de todo o sempre, J.D. Salinger, pensado e executado por um fã confesso, que acompanha a sua odisseia, começando como um adolescente ambicioso numa Nova Iorque intelectual e, culminando no homem que se tornou num mito, es…
Destaque da Semana: "A Vida de um Génio" ("Rebel In The Rye"), de Danny Strong

Crítica: "Mães à Solta 2", de Jon Lucas, Scott Moore



“Mães à Solta” não se contou entre os melhores filmes do passado ano, mas foi muito claramente um dos mais extraordinariamente prazerosos. Como tal, construir algumas expectativas para esta sequela, seria sempre mais ou menos inevitável. E, felizmente, ao convocar as mães das nossas personagens (“avós” estas, encarnadas com distintos graus de brilhantismo por Christine Baranski, Susan Sarandon e Cheryl Hines), para um par de semanas de celebração natalícia (a narrativa começa algum tempo, antes desta muito antecipada noite), resultou numa das melhores continuações dos últimos anos. Uma sequela, genuinamente inteligente, que sabe como “brincar” com um conceito já de si bastante interessante (uma comédia desbragada, sobre as pressões quotidianas, que contrariamente ao habitual, tem mulheres no seu centro) e, dele retirar inúmeros momentos humorísticos, que nunca falham. Se é grande cinema? Não, mas é uma das melhores e mais c…
Primeiras Imagens: "Hostiles", de Scott Cooper


Primeiras Imagens: "Downsizing", de Alexander Payne

"Shot Caller: Sobreviver a Todo o Custo", de Ric Roman Waugh



Jacob Harlon era um homem exemplar. Um corretor endinheirado, com uma família feliz, uma mansão imponente e, um bom círculo de amigos. Enfim, uma vida perfeita. No entanto, tudo isso desaparece uma noite, quando tem um acidente de viação enquanto está alcoolizado, que resulta no falecimento do melhor amigo e, no seu encarceramento numa prisão de alta segurança, onde se encontra constantemente rodeado por criminosos de carreira. E, num contexto assim tão hostil, a única forma de sobreviver parece mesmo ser um custoso processo de adaptação, que culminará na aproximação do outrora comum e simpático Jacob da insidiosa Irmandade Ariana. “Shot Caller”, começa por estabelecer esse contraste, entre o homem que o corretor outrora foi e, o ameaçador criminoso em que necessitou de se tornar (transformação completa por uma nova alcunha, Money). Desta forma, concretizando a ideia que ocupa o centro da sua narrativa, nomeadamente…
"Marcas de Guerra" ("Thank You For Your Service"), de Jason Hall



Pensemos em “Os Melhores Anos das Nossas Vidas” (1950). Clássico intemporal, acerca do regresso a casa de um trio de veteranos da Segunda Guerra Mundial. E, agora pensemos num equivalente contemporâneo a esse título de William Wyler. De forma mais ou menos simplista, poderemos descrever assim esta primeira longa-metragem de Jason Hall, “escriba” de “Sniper Americano” (Clint Eastwood, 2014), que volta às lutas quotidianas, de quem precisa urgentemente de uma ajuda que teima em não vir, neste digníssimo melodrama classicista, bem à moda de uma certa produção americana “à antiga”. Nele, retratam-se as vidas de Adam, Solo e Billy (interpretados com justeza por Miles Teller, Beulah Koale e Joe Cole, respetivamente). Soldados com algumas comissões no Iraque, que chegam à pequena cidade onde residem, depois de um incidente traumático (que, apenas serviria como um infeliz clímax, para longos meses de violência…
Destaque da Semana: "Marcas de Guerra" ("Thank You For Your Service"), de Jason Hall


"Deadpool 2", de David Leitch

"A Vida de Brad" ("Brad's Status"), de Mike White



Ainda existem cineastas, capazes de encarar as suas personagens enquanto pessoas reais, com problemas tangíveis e, não como meros estereótipos? Felizmente, sim e, Mike White é um deles. Um antigo colaborador de gente como Richard Linklater ou Miguel Arteta, que consegue com esta sua segunda longa-metragem, juntar-se às impressionantes fileiras dos resistentes do cinema americano contemporâneo, que quando confrontados com a ascensão meteórica dos super-heróis, resolveram refugiar-se num realismo humaníssimo. Para tal, encenando um pequeno e tocante conto melancólico, sobre um homem de meia-idade, que tenta perceber onde e como é que a vida lhe passou ao lado, ao mesmo tempo que acompanha o filho à beira de entrar na universidade em entrevistas de admissão. Engenhoso como sempre, White sabiamente constrói quase todo o filme na mente do seu protagonista, Brad (interpretado por um portentoso Ben Stiller, que ainda há…
"Stronger: Força de Viver", de David Gordon Green



David Gordon Green é um dos mais interessantes e rocambolescos cineastas do atual panorama. Interessante, porque este texano, que muitos caracterizaram como um novo Terrence Malick, aquando do lançamento dos seus primeiros filmes, conseguiu criar uma filmografia extraordinariamente respeitável, onde encontramos, no mínimo, 3 obras-primas contemporâneas (“George Washington”, “All The Real Girls” e “Anjos na Neve”. Rocambolesco, por ter escolhido seguir um quinteto de tocantes dramas familiares, com um rol de projetos, que incluía três comédias desbragadas e, um projeto de grande estúdio, com estrelas de primeira grandeza e um orçamento como só Hollywood pode garantir. Agora, encontramo-lo aos comandos de um filme, que quase parece um regresso aos tempos mais humildes, que marcaram os seus primeiros anos a realizar. “Stronger: Força de Viver”, sobre Jeff Bauman, sobrevivente do atentado na Maratona de Boston (2013), que perdeu a…
"Sete Irmãs" ("What Happened to Monday"), de Tommy Wirkola


Quem conhecer o cinema do norueguês Tommy Wirkola, poderá ficar espantado com esta sua nova longa-metragem. Afinal, o autor, que sempre evidenciou um gosto genuíno pelo grotesco e macabro, encontra-se aqui num registo adulto e sério, que os seus antecessores nunca antecipariam. Nada mais, nada menos, que uma ficção-cientifica orwelliana, acerca de sete irmãs, que necessitam de seguir regras extremamente rígidas, para sobreviver num futuro, onde a sobrepopulação tornou criminal ter mais de um filho. Premissa, no mínimo, sugestiva, que o realizador de clássicos de culto como “Dead Snow” e “Dead Snow: Red Vs Dead” transforma num thriller de série B, de primeiríssima linha, como os americanos tão bem sabiam fazer há uns anos e, entretanto parecem mesmo ter esquecido. É uma bela surpresa, ancorada em sete extraordinárias performances de Noomi Rapace (uma pequena dose de Willem Dafoe, também ajuda sempre, como tod…
Crítica: "Peregrinação", de João Botelho



Botelho permanece interessado em converter obras literárias clássicas, em filmes, que não se resumam às mais banais convenções televisivas. E, nesse sentido, importará mencionar que essas ambições, por mais honrosas que sejam, ainda não se tinham materializado num objeto cinematográfico, que lhes correspondesse. Isto, até agora, porque esta transposição do emblemático livro de viagens de Fernão Mendes Pinto, é um belíssimo acontecimento, que filma a odisseia do escritor, como uma interminável e melancólica procura do infinito, por um homem, que enfrentou inúmeros e inimagináveis ameaças, para alcançar o “reino dos céus” e, sobreviveu para contar as suas aventuras. Haveriam muitas formas de encenar os pequenos contos, que compõem este elegante e eloquente diário de viagens e, Botelho também ele combatendo adversidades múltiplas (como a óbvia necessidade de condensar os escritos de Fernão Mendes Pinto nuns económicos 110 minutos ou, a fa…
Destaque da Semana: "Peregrinação", de João Botelho

"The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story", de Scott Alexander, Larry Karaszewski