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Crítica: "A Melodia" O cinema existe também como um espelho do meio em que é concebido. Seja de maneiras mais cómicas ou dramáticas, realistas ou fantasiosas, refletindo as preocupações que mais nos inquietam atualmente. Assim sendo, caso queiramos seguir essa linha de pensamento, podemos mesmo concluir, que para melhor entendermos os assuntos que marcam a ordem do dia noutros países, talvez, possamos simplesmente ver os seus filmes. Um bom exemplo disso mesmo, será a continuada obsessão de algum cinema francês com a educação, que do terror ( “Madame Hyde” ) ao drama ( “A Turma” , “Uma Turma Difícil” ), passando pela comédia ( “Os Profs” ), parece assumir-se como uma presença temática omnipresente, naquela que permanece uma das mais importantes cinematografias mundiais. Ora, “A Melodia” conta-se como um novo capítulo nessa riquíssima tradição. Desta feita, o argumentista e cineasta Rachid Hami inspirou-se em relatos reais de crianças de bairros desprivilegi...
Destaque da Semana: "A Melodia" Realização: Rachid Hami Argumento: Rachid Hami ,  Guy Laurent , Valérie Zenatti Elenco:  Kad Merad , Samir Guesmi , Alfred Renely
Crítica: "Submersos" Wenders permanece um autor francamente incomum. Um humanista confesso, possuidor de marcas pessoalíssimas, que atravessam toda a sua filmografia e, de um sentido de independência que lhe permite continuar alheio a “modas” passageiras e clichés redundantes. Exemplo disso mesmo, é a sua mais recente longa-metragem, “Submersos”, adaptação gentil de um romance do escocês J.M. Ledgard, que encena o romance silencioso entre duas almas solitárias, que relembram os breves momentos que passaram juntas, quando confrontadas com a iminência da morte. Ambas as personagens, partem em missões até lugares de tal modo distantes, que quase apetece fazer referência a um dos mais conhecidos títulos do cineasta alemão, e argumentar que rumam “Até ao Fim do Mundo”. E, é precisamente nessa paixão assolapada por um certo idealismo romântico, sempre assombrado por temas inquietantes que marcam constantemente a nossa atualidade (o terrorismo, sendo um exemplo óbvio). No...
Crítica: "Godard, O Temível" Como filmar Godard? Afinal, quando falamos do franco-suíço, evocamos mesmo o nome de um dos mais emblemáticos e influenciais autores de toda a história do cinema. Porém, importará não esquecer também, que o autor de clássicos intemporais como “O Desprezo” e “O Acossado”, é uma personalidade manifestamente controversa, que quase parece preferir existir à margem do mundo, mantendo um estatuto de quase reclusão, que contrasta, quase ironicamente, com a sua obsessão por um cinema pensativo, que existe como um reflexo melancólico sobre o nosso “aqui e agora”. Nesse sentido, torna-se impossível resistir aquilo que Hazanavicius nos propõe em “Godard, O Temível”, uma suculenta sátira centrada no casamento deste com Anne Wiazemsky, que captura os anos que corresponderam a um período crítico no seu percurso como cineasta, sob uma ótica de comédia burlesca. O resultado é um filme assumidamente “pop”, que visualmente traz memórias dos tempos mais fes...
Crítica: "Como Falar com Raparigas em Festas" John Cameron Mitchell é um dos mais interessantes e incomuns autores contemporâneos, e “Como Falar com Raparigas em Festas” é a prova definitiva disso mesmo. Uma comédia romântica sobre o primeiro amor, com uma energia genuinamente punk muito comovente, que nos transporta até à Inglaterra dos anos 70, quando um jovem terráqueo (uma surpresa chamada Alex Sharp) se apaixona por uma rapariga alienígena (Elle Fanning, sempre uma presença impressionante), que visita uma pequena vila britânica com o seu séquito. Quem conhecer o cinema do americano, saberá também acerca do prazer que o mesmo nutre por retratar o quotidiano de outsiders, gente que simplesmente não consegue encontra um lugar para si mesmo no mundo. Temáticas fundamentais que voltam a manifestar-se numa jubilosa homenagem ao cinema como fábrica de artifícios, no processo, reconfirmando o nome de Cameron Mitchell como um humanista confesso, capaz de conservar um...
Destaque da Semana: "Como Falar com Raparigas em Festas" Realização: John Cameron Mitchell Argumento:  Philippa Goslett , John Cameron Mitchell Elenco: Alex Sharp , Elle Fanning , Nicole Kidman
Crítica: "O Segredo da Câmara Escura" Jean e Stéphane aparentam ser homens completamente diferentes. O primeiro é um jovem pouco ambicioso, que vive à custa de biscates ocasionais. O segundo, é um artista respeita do, cujo quotidiano vai sendo ocupado por sessões fotográficas “cerimoniais” com a filha, de tal maneira obsessivas e ritualizadas, que quase parecem assemelhar-se a uma espécie de masoquismo. No entanto, ambos partilham uma semelhança fundamental, nomeadamente, uma relutância absoluta em aceitar a mudança dos tempos, em abandonar um passado que não voltará nunca. E, é precisamente aí, que encontramos o coração deste extraordinário filme do nipónico Kiyoshi Kurosawa. Novamente, a encenar contos subtilmente fantasmagóricos, onde o quotidiano dos humanos vai ser interrompido por projeções físicas dos males que os atormentam, neste caso, o romantismo nostálgico destes dois seres, que lenta mente enlouquecem. Claro está, que rigorosamente nada disto funcionaria...