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DESTAQUE DA SEMANA

OUTRAS ESTREIAS:

CRÍTICA - "OS FABELMANS"

Seja porque a pandemia desencadeou (ou acelarou) violentas mudanças na indústria cinematográfica ou porque o revivalismo se encontra na ordem do dia, os últimos anos viram muitos cineastas a revisitar o seu passado no grande (ou pequeno) ecrã.  Kenneth Branagh  ( "Belfast" ),  Paolo Sorrentino  ( "A Mão de Deus" ) ou  James Gray  ( "Armageddon Time" ) fizeram-no recentemente e, agora,  Steven Spielberg  também seguiu esse caminho. Em  "Os Fabelmans" , ele convoca as suas memórias de infância e adolescência para "compor", simultaneamente, uma comovente celebração do amor primitivo pelo cinema, visto e habitado como um intemporal país das maravilhas, e um contundente melodrama familiar, que ousa ressuscitar um dos momentos mais dolorosos da vida do cineasta, o divórcio dos pais (os seus fãs mais ferrenhos devem recordar-se que esse rompimento conjugal já tinha estado na origem de  "E.T." ). O ano é 1952, quando, numa noite inver...

DESTAQUE DA SEMANA

OUTRAS ESTREIAS:

CRÍTICA - "OS ANOS SUPER 8"

Na primeira semana de 2022, a NOS Audiovisuais estreou "O Acontecimento" , baseado no romance homónimo de Annie Ernaux . No entanto, os constrangimentos da pandemia condenaram-no a uma passagem demasiado discreta pelas salas escuras. Entretanto, Ernaux recebeu o Nobel da Literatura, providenciando um outro nível de visibilidade que, não tendo chegado a tempo de auxiliar "O Acontecimento" , pode muito bem ser o principal atrativo de "Os Anos Super 8" , um documentário elucidativo, envolvente e, tremendamente, económico (são apenas 61 minutos de duração, portanto, se se anda a queixar das 3 horas e 12 minutos de "Avatar: O Caminho da Água" nas redes sociais, tem bom remédio), que a romancista assinou em conjunto com David Ernaux-Briot , um dos filhos. Nele, acompanhamos um conjunto de gravações caseiras, filmadas com uma câmara Super 8, entre 1972 e 1981, no seio da família Ernaux, devidamente acompanhados pela voz da autora francesa, que evidenc...

DESTAQUE DA SEMANA

OUTRAS ESTREIAS: (EXCLUSIVO MEDEIA FILMES CINEMAS) (EXCLUSIVO MEDEIA FILMES CINEMAS)

CRÍTICA - "LOBO E CÃO"

Numa das imagens mais reconhecíveis de  "Lobo e Cão"  (contemple-a acima), um grupo de  outsiders , incluindo os protagonistas, Ana ( Ana Cabral ) e Luis ( Ruben Pimenta ), posicionam-se um a um, num palco, olhando diretamente para a câmara e, consequentemente, para nós. Nunca nos dirigem a palavra (não podemos, portanto, falar numa "quebra da quarta parede"), mas, temos consciência de que se os seus olhares "procuram" o nosso. Esse longo plano, "embalado" pela área "Cold Song", na voz de Klaus Nomi, um ícone esquecido da comunidade LGBTQI+,  encapsula quase tudo aquilo que é a primeira longa-metragem de ficção de  Cláudia Varejão , autora de  "Ama-San"  e  "Amor Fati" . Um mergulho profundo na comunidade  queer  de São Miguel, nos Açores, filtrado pelo olhar, inerentemente, melancólico, incerto e receoso de dois jovens que, entre a infância e a idade adulta, naquele instante fugaz que apelidamos de "adolescênci...

CRÍTICA - "OS IRMÃOS DE LEILA"

Quando  "A Lei de Teerão"  se estreou no mercado português, nos últimos dias de junho, a crítica e os poucos cinéfilos que o nosso país ainda possui não demoraram a proclamá-lo como um dos acontecimentos centrais da temporada. Não era caso para menos. Afinal, não é todos os dias que descobrimos um autor em pleno domínio de todas as ferramentas do seu métier. O seu nome é  Saeed Roustayi , tem 33 anos, e nesse filme apoderava-se dos códigos do policial taquicardíaco, como idealizado por  William Friedkin  em  "Os Incorruptíveis Contra a Droga" , para construir um épico sociopolítico, a paredes meias com o conto moral, com uma intensidade dramática que trazia à mente William Shakespeare. Uns meses depois, recebemos a sua terceira longa-metragem (a primeira,  "Life and a Day" , permanece inédita no mercado português),  "Os Irmãos de Leila" , um melodrama familiar, a meio-caminho entre  Francis Ford Coppola  ( "O Padrinho"  vem à mente)...